Glória ao sorriso. Hoje, 4 de abril sinto algo ruim e inexplicável, meu companheiro é o teclado e o aparelho de som, a escrita que farei não é nada revolucionária, mas se não o fizer, não vivo esta noite. Desculpem desde já o conteúdo abaixo. 

Pena, jamais, apenas o mínimo de atenção.

Não sou um escritor consagrado, tampouco considero-me escritor, escrevo por necessidade e por dor. Libero toda minha angústia através do sentimento que passo em cada palavra que teclo ou escrevo. Algumas vezes de forma psicodélica e inexplicável que só decifra quem me conhece profundamente, singela e cativante, agressiva e repulsiva, intolerante e polêmica, enfim, nesses anos não adquiri um estilo próprio no que escrevo, só escrevo, não porque gosto, mas porque preciso.
Muitos odeiam e grande parte ao ver "Punkavaro" no destinatário já deleta. Porém, uma minoria, não sei se gosta, porém lê, e é pra essa minoria que escrevo, é pra essa minoria que abro a percepção do mundo pelo meus sentidos.

Autobiografia, talvez, no fim vejo a conclusão, mas não tenho objetivo hoje, só quero escrever.

A dor talvez seja de um amor sendo arrancado a força, ou meus anticorpos expelindo esse corpo estranho chamado "amor" de meu corpo, para que outro, maior ou menor, melhor ou pior, possa novamente preencher o vazio do anterior. 

Um punk, anarquista, revoltado, vândalo e outras coisas falando de amor?
Não sou mais punk, deixei de lado os fundamentos anarquistas, não quero mais me revoltar e vândalo nunca fui, mas sempre amei, como qualquer outro ser humano. De uma forma intensa como militei no movimento punk, doutrinado e doutrinando como fiz com a anarquia, revoltado por ser diferente e por isso excluído, e sempre uma pessoa que motiva as outras a darem qualidades negativas, mesmo que falsas.

A quem quero enganar?
Minha criação foi e ainda é péssima, sem um pai, gerado por uma mãe problemática, imatura e irresponsável, criado por avós analfabetos, mimado por sentirem pena e me verem como um coitado.
Nunca fomos ricos, passamos fome,  necessidades, e nunca fomos unidos a ponto de sentar-nos todos ao redor de uma mesa e fazer-nos uma refeição juntos. Ao contrário, o sentimento de competição e demarcação de territórios foram e são constantes, como animais que não vivem em harmonia.
Tudo isso forma uma personalidade, e infelizmente a minha é essa. 

Poucos conhecem esse meu lado humano, até porque só mostro a quem amo. Porém quem amo não merece que esse meu lado seja só seu, e hoje revelo a identidade secreta de um "super-herói" que de herói não tem nada e de super muito menos.

As lágrimas já não correm mais e a raiva toma seu lugar, mas hoje não vou gritar, apenas me libertar.

Tive vergonha de não ter um emprego durante 3 anos, tive vergonha de trazer alguém em minha casa porque tive vergonha de minha família, tive vergonha de sorrir, tive vergonha de ser NEGRO, tive vergonha de ser um ciclista, tive vergonha de vestir-me como gosto, tive vergonha de assumir que tive vergonha.

Hoje tenho orgulho, de passar pelo que passei e passo e estar aqui de cabeça erguida, de fazer o que fiz pelas pessoas que amo ou amei, de ter uma personalidade única e imutável, de ser tachado por toda sociedade de louco ao fazer o que gosto e mesmo assim trazer medalhas e troféus ao Jardim Colorado, de todos os amigos que conquistei nesse tempo que estive na terra, das coisas que escrevi, do meu egocentrismo, das coisas que realizei, enfim, hoje tenho orgulho de mim mesmo e se alguém me ver como um vagabundo, como um neurótico, como um vândalo, eu digo Foda-se e sigo em frente.

Sinto-me ilhado, meus amigos não me ligam, não posso procurá-los, não tenho com quem conversar já que a família aqui é só para ocupar espaço. 
Grito e não posso ser ouvido, choro e não posso ser visto, sinto dor e não posso ser confortado, é o troco por amar demais, é o troco por ser quem eu sou, é o troco.

Continuarei sendo o que sou. 
Como um homem que morava em New Orleans, martirizado por ter ressuscitado o Sol.

Sei bem de tudo que sou e sinto, sim, mas hoje por culpa de um telefone que não tocou, por uma voz que não ouvi, pelas palavras que não disse eu encontrei o caminho do inferno mais uma vez. Sinto-me em um grande vazio nas trevas, porém preencho o vazio com tudo que tenho aqui preso e ilumino as trevas com minha insônia.  

Sei que quem fez o silêncio do telefone não merece que o "Super-herói" se abata, chore ou expresse o que sente a estranhos, pois prova que não ama de verdade e seu suposto amor é uma mera ilusão de uma antiga carência afetiva que se estendeu durante 3 anos nesse dia 1° de abril.

As revoluções não acontecem e a guerra não foi evitada, então decidi dar um tempo. Acredito que após recuperar-me e encontrar novamente o caminho do rumo que seguia ou até mesmo criar um novo, que é mais sensato, irei deixar Krishna em paz e atormentarei quem me atormenta. 

Nenhuma mulher merece que um homem acabe com sua vida por causa da mesma, mas no caso de outro homem, hum,eu acho que merece. 
Hehe, zoeira, escrever é bom... 

Álvaro Henrique
4º de abril, 2003