Não sou um escritor consagrado,
tampouco considero-me escritor, escrevo por necessidade e por dor.
Libero toda minha angústia através do sentimento que passo em cada
palavra que teclo ou escrevo. Algumas vezes de forma psicodélica e
inexplicável que só decifra quem me conhece profundamente, singela e
cativante, agressiva e repulsiva, intolerante e polêmica, enfim,
nesses anos não adquiri um estilo próprio no que escrevo, só
escrevo, não porque gosto, mas porque preciso.
Muitos odeiam e grande parte ao ver "Punkavaro" no
destinatário já deleta. Porém, uma minoria, não sei se gosta,
porém lê, e é pra essa minoria que escrevo, é pra essa minoria que
abro a percepção do mundo pelo meus sentidos.
Autobiografia, talvez, no fim
vejo a conclusão, mas não tenho objetivo hoje, só quero escrever.
A dor talvez seja de um amor
sendo arrancado a força, ou meus anticorpos expelindo esse corpo
estranho chamado "amor" de meu corpo, para que outro, maior
ou menor, melhor ou pior, possa novamente preencher o vazio do
anterior.
Um punk, anarquista,
revoltado, vândalo e outras coisas falando de amor?
Não sou mais punk, deixei de lado os fundamentos anarquistas, não
quero mais me revoltar e vândalo nunca fui, mas sempre amei, como
qualquer outro ser humano. De uma forma intensa como militei no
movimento punk, doutrinado e doutrinando como fiz com a anarquia,
revoltado por ser diferente e por isso excluído, e sempre uma pessoa
que motiva as outras a darem qualidades negativas, mesmo que falsas.
A quem quero enganar?
Minha criação foi e ainda é péssima, sem um pai, gerado por uma
mãe problemática, imatura e irresponsável, criado por avós
analfabetos, mimado por sentirem pena e me verem como um coitado.
Nunca fomos ricos, passamos fome, necessidades, e nunca
fomos unidos a ponto de sentar-nos todos ao redor de uma mesa e
fazer-nos uma refeição juntos. Ao contrário, o sentimento de
competição e demarcação de territórios foram e são constantes,
como animais que não vivem em harmonia.
Tudo isso forma uma personalidade, e infelizmente a minha é essa.
Poucos conhecem esse meu lado
humano, até porque só mostro a quem amo. Porém quem amo não merece
que esse meu lado seja só seu, e hoje revelo a identidade secreta de
um "super-herói" que de herói não tem nada e de super
muito menos.
As lágrimas já não correm
mais e a raiva toma seu lugar, mas hoje não vou gritar, apenas me
libertar.
Tive vergonha de não ter um
emprego durante 3 anos, tive vergonha de trazer alguém em minha casa
porque tive vergonha de minha família, tive vergonha de sorrir, tive
vergonha de ser NEGRO, tive vergonha de ser um ciclista, tive vergonha
de vestir-me como gosto, tive vergonha de assumir que tive vergonha.
Hoje tenho orgulho, de passar
pelo que passei e passo e estar aqui de cabeça erguida, de fazer o
que fiz pelas pessoas que amo ou amei, de ter uma personalidade única
e imutável, de ser tachado por toda sociedade de louco ao fazer o que
gosto e mesmo assim trazer medalhas e troféus ao Jardim Colorado, de
todos os amigos que conquistei nesse tempo que estive na terra, das
coisas que escrevi, do meu egocentrismo, das coisas que realizei,
enfim, hoje tenho orgulho de mim mesmo e se alguém me ver como um
vagabundo, como um neurótico, como um vândalo, eu digo Foda-se e
sigo em frente.
Sinto-me ilhado, meus amigos
não me ligam, não posso procurá-los, não tenho com quem conversar
já que a família aqui é só para ocupar espaço.
Grito e não posso ser ouvido, choro e não posso ser visto, sinto dor
e não posso ser confortado, é o troco por amar demais, é o troco
por ser quem eu sou, é o troco.
Continuarei sendo o que
sou.
Como um homem que morava em New Orleans, martirizado por ter ressuscitado
o Sol.
Sei bem de tudo que sou e
sinto, sim, mas hoje por culpa de um telefone que não tocou, por uma
voz que não ouvi, pelas palavras que não disse eu encontrei o
caminho do inferno mais uma vez. Sinto-me em um grande vazio nas
trevas, porém preencho o vazio com tudo que tenho aqui preso e
ilumino as trevas com minha insônia.
Sei que quem fez o silêncio
do telefone não merece que o "Super-herói" se abata, chore
ou expresse o que sente a estranhos, pois prova que não ama de
verdade e seu suposto amor é uma mera ilusão de uma antiga carência
afetiva que se estendeu durante 3 anos nesse dia 1° de abril.
As revoluções não acontecem
e a guerra não foi evitada, então decidi dar um tempo. Acredito que
após recuperar-me e encontrar novamente o caminho do rumo que seguia
ou até mesmo criar um novo, que é mais sensato, irei deixar Krishna
em paz e atormentarei quem me atormenta.
Nenhuma mulher merece que um
homem acabe com sua vida por causa da mesma, mas no caso de outro
homem, hum,eu acho que merece.
Hehe, zoeira, escrever é bom...
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